HISTÓRIAS

Toda a minha família ficou feliz quando meu pai se casou novamente aos 60 anos com uma mulher trinta anos mais jovem

— mas, na noite de núpcias, um grito estranho ecoou do quarto, e o que vi me deixou sem palavras…

O nome do meu pai é Antônio Ferreira. Nesta primavera, ele completou sessenta anos.
Minha mãe faleceu quando minha irmã e eu ainda estávamos na faculdade. Por mais de vinte anos, meu pai viveu sozinho — sem encontros, sem segundas chances — apenas trabalho, missa aos domingos e seu pequeno jardim em Belo Horizonte.

Nossos parentes sempre diziam:

— Antônio, você ainda está forte e saudável. Um homem não deve viver sozinho pra sempre.

Ele apenas sorria com calma e respondia:

— Quando minhas filhas estiverem bem, aí eu penso em mim.

E ele realmente acreditava nisso.

Quando minha irmã se casou e eu consegui um emprego estável em São Paulo, ele finalmente teve tempo para cuidar da própria vida. Então, numa noite de novembro, ele nos ligou com um tom que eu não ouvia há anos — caloroso, esperançoso, quase tímido:

— Conheci alguém — disse ele. — O nome dela é Larissa.

Minha irmã e eu ficamos em choque. Larissa tinha trinta anos — metade da idade do meu pai.

Ela trabalhava como contadora em uma empresa de seguros local, era divorciada e não tinha filhos. Eles se conheceram em uma aula de yoga para idosos no centro comunitário.

No começo, achamos que ela pudesse estar se aproveitando dele. Mas, quando a conhecemos — gentil, educada, de fala suave — percebemos o modo como ela olhava para o meu pai. E o modo como ele olhava de volta. Não era pena. Era paz.

A cerimônia aconteceu no quintal da antiga casa da família, sob uma grande mangueira iluminada por pequenas luzes. Nada extravagante — apenas uma reunião simples entre amigos e familiares, frango assado, refrigerante, risadas e algumas lágrimas.

Larissa usava um vestido rosa-claro, o cabelo preso, e os olhos cheios de ternura. Meu pai parecia nervoso, mas feliz — como um jovem apaixonado pela primeira vez.

Naquela noite, enquanto todos ajudavam a arrumar as coisas, minha irmã brincou:

— Pai, tenta fazer pouco barulho hoje, hein? As paredes são finas!

Ele riu e respondeu:

— Ah, vá cuidar da sua vida, danada.

Então, pegou Larissa pela mão e entrou no quarto principal — o mesmo em que havia dormido com minha mãe por mais de trinta anos. Sugerimos que ele redecorasse antes do casamento, mas ele se recusou:

— Deixar como está me traz paz — disse.

Por volta da meia-noite, acordei com um barulho. Achei que fosse o vento… ou talvez algum gato no quintal. Mas então — um grito. Agudo. Apavorado.

Minha irmã e eu saltamos da cama e corremos até o quarto do meu pai. Por trás da porta, ouvimos a voz trêmula de Larissa:

— Não! Por favor… não faça isso!

Empurrei a porta com força.

E o que vi diante dos meus olhos… me deixou sem palavras.

Meu pai estava segurando um enorme buquê de flores que tinha preparado para ela — ele havia planejado uma surpresa romântica, mas tropeçou no tapete antigo, derrubando tudo no chão. Larissa caiu de costas na cama, rindo e gritando de susto, mas imediatamente começou a rir de nervoso. Meu pai, corado e rindo ao mesmo tempo, pediu desculpas enquanto tentava ajudá-la a levantar.

Foi nesse momento que percebi: todo o medo, todo o drama que imaginei, era apenas uma prova do amor deles. Mesmo com a diferença de idade, mesmo depois de tantos anos de solidão, eles estavam finalmente felizes — e a vida deles juntos só estava começando.

Naquela noite, depois de recolhermos as flores e os risos, sentamos todos na sala, aliviados. O grito que inicialmente nos assustou acabou se transformando em histórias engraçadas que ririam juntos nos próximos anos. Meu pai e Larissa dormiram abraçados, e pela primeira vez em muito tempo, a casa parecia completa novamente.

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