HISTÓRIAS

O DIA SEGUINTE AO CASAMENTO.

MEU MARIDO FICOU TRANCADO NO BANHEIRO POR 45 MINUTOS — QUANDO OUVI UMA VOZ DE MULHER LÁ DENTRO, ARROMBEI A PORTA E DESCOBRI QUE…

Na manhã seguinte ao nosso casamento, a luz atravessava as cortinas da suíte como se anunciasse um novo começo. Eu realmente acreditava que aquele seria o dia mais tranquilo da minha vida.

Eu e Daniel passamos a noite na suíte de lua de mel do Hotel Serra Alta — banheira de hidromassagem, carpete macio, champanhe gelado. Tínhamos planejado dormir até tarde, pedir café no quarto e caminhar pelos jardins.
Coisas simples. Coisas de recém-casados.

Mas assim que acordei, notei algo estranho.

Daniel se trancou no banheiro.

Cinco minutos passaram. Dez. Quinze.
No início, não dei importância. Ele poderia estar enjoado, nervoso, cansado da festa.

Mas aos vinte minutos, comecei a me preocupar.
Aos trinta, fiquei irritada.
Aos quarenta e cinco, bati na porta com força.

— Daniel? Tá tudo bem aí?

Nenhuma resposta.

E então ouvi.

Uma voz de mulher.

Baixa, apressada, desesperada.

Meu coração disparou. Encostei o ouvido na porta, sentindo as pernas tremerem.

— …ela não sabe… fala mais baixo…

Meu sangue gelou.

Outra mulher. No banheiro da nossa suíte. Na manhã seguinte ao nosso casamento.

Bati de novo, dessa vez quase derrubando a porta.

— Daniel! Quem tá aí?! Abre essa porta!

Silêncio. Depois, passos apressados dentro do banheiro.

— Lúcia, espera — ouvi Daniel dizer — não entra—

Tarde demais.

Dei um passo atrás, respirei fundo e chutei a porta com toda força. A fechadura barata cedeu.

Quando a porta abriu, eu me preparei para ver o pior.

Mas não havia nenhuma mulher ali.

Nenhuma amante. Nenhuma traição física.

Daniel estava sentado no chão, pálido como se tivesse visto um fantasma. Na mão, segurava o celular no viva-voz.
Na tela, uma jovem chorava, aterrorizada.

Fiquei parada, sem entender.

— Daniel… o que tá acontecendo?

Ele tentou desligar a chamada, mas eu segurei o braço dele.

— Não é o que você pensa, Lúcia.

— Não? Porque parece MUITO que meu marido recém-casado tava escondido no banheiro com outra mulher no telefone!

Ele fechou os olhos, respirou fundo.

— O nome dela é Helena.
Uma pausa.
— Ela é minha irmã.

Eu congelei.

— Você não tem irmã, Daniel.

— Tenho sim. Eu só… nunca te contei.

Foi como levar um tapa.

Na tela, a garota continuava chorando, mesmo com o áudio fechado. Seus lábios diziam:
“Eles encontraram… ele encontrou…”

Um calafrio percorreu minha coluna.

— Começa a explicar. Agora — exigi.

Daniel passou a mão no rosto, derrotado.

— Helena está se escondendo de um homem chamado Ricardo… alguém perigoso. Meu pai a colocou numa casa segura no interior, e poucos sabiam da localização. Eu era o único com quem ela falava.

A imagem tremeu quando Helena virou a câmera para mostrar a casa onde estava: janela quebrada, colchão rasgado, pegadas de lama no corredor.
Cenas de terror.

Meu estômago virou.

— Isso… isso é a casa dela?

Daniel assentiu.

— Hoje cedo ela me ligou dizendo que ele a encontrou. E agora ela não tem para onde fugir.

A chamada desmutou sozinha, e ouvimos a voz trêmula da garota:

— Daniel… ele está aqui fora. Eu não sei o que fazer… por favor… me ajuda…

Então, no fundo da ligação, ouvimos batidas violentas na porta da casa dela.

Helena gritou.

Daniel se levantou num pulo.

— Lúcia, eu preciso ir agora. Ela vai morrer se eu não fizer nada.

Eu o encarei por um momento — nosso primeiro dia como casal transformado num pesadelo.

Mas não hesitei.

Peguei minha bolsa.

— Então vamos salvar sua irmã.

Ele me encarou, surpreso.

— Você vai comigo?

— Claro que vou — respondi. — Ninguém deve enfrentar algo assim sozinho. Nem ela… e nem você.

Descemos correndo do hotel, entramos no carro e partimos.

A lua de mel acabou antes mesmo de começar.

Mas talvez… talvez nós dois estivéssemos prestes a descobrir o tipo de casal que realmente éramos:
não os que fogem dos problemas, e sim os que enfrentam o perigo juntos.

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