HISTÓRIAS

O milionário demitiu a babá sem motivo…

até que a filha disse algo que o deixou em choque

Laura Méndez jamais imaginou que aquele seria o último dia na casa onde passara os últimos três anos de sua vida. Cuidar da pequena Sofía não era apenas um trabalho — havia se tornado um vínculo profundo, quase maternal. Ainda assim, naquela manhã silenciosa, recebeu a notícia de sua demissão sem qualquer explicação.

Sem discutir, sem respostas. Apenas um aviso frio e definitivo.

Com as mãos trêmulas, Laura arrumou seus poucos pertences, tentando conter as lágrimas que insistiam em cair. Seu coração doía mais do que qualquer injustiça material. Não era o salário perdido que a feria, mas a despedida repentina da menina que aprendera a chamar de “minha pequena”.

Ninguém na casa parecia entender o que havia acontecido. Nem mesmo os empregados mais antigos. O milionário, dono da hacienda imponente em San Miguel de Allende, mantinha o rosto fechado, distante, como se aquela decisão fosse apenas mais um detalhe administrativo de sua rotina.

Foi então que Sofía, até então em silêncio, puxou o pai pela mão.

Ela se aproximou devagar, subiu no banco alto do corredor e sussurrou algo em seu ouvido. Poucas palavras. Simples. Mas suficientes para fazer o homem empalidecer.

— Papai… por que você mandou embora a única pessoa que fica comigo quando você grita comigo? — disse a menina, com a inocência cruel da verdade.

O empresário sentiu o chão desaparecer sob seus pés.

Enquanto isso, sem saber do que acabara de acontecer, Laura descia as escadas da varanda com o olhar fixo no chão de pedra. Contava cada degrau como se aquilo a ajudasse a se despedir daquele capítulo da vida. Vinte degraus até o portão. Vinte degraus para deixar para trás três anos inteiros de cuidado, afeto e renúncia.

O sol se punha, tingindo de dourado as paredes de terracota da hacienda. Laura lembrou-se de como amava aquele horário do dia, quando a luz atravessava o quarto de Sofía e as duas inventavam figuras nas sombras do teto: um pássaro, uma borboleta, uma estrela.

Ela não olhou para trás. Sabia que, se o fizesse, não conseguiria ir embora.

No banheiro de serviço, já havia chorado o suficiente enquanto arrumava suas roupas: três jeans, cinco blusas, o vestido azul-claro que usara no quarto aniversário de Sofía. A escova de cabelo… essa ela deixou para trás. A menina gostava de pentear sua boneca com ela.

Quando Laura alcançou o portão, ouviu passos apressados.

— Laura, espere!

Era o milionário. Pela primeira vez, sua voz não soava firme, mas quebrada.

Ele parou diante dela, respirou fundo e disse, com os olhos marejados:

— Eu não sabia… Eu não via. Achei que estava fazendo o melhor para minha filha, mas estava cego. Você era a única pessoa que a fazia se sentir segura. E eu a afastei.

Laura permaneceu em silêncio.

— Sofía me contou coisas que eu não queria ouvir… mas precisava. Se você aceitar, quero que fique. Não como funcionária invisível, mas como alguém respeitada. E, acima de tudo, peço perdão.

Nesse momento, Sofía surgiu correndo e abraçou as pernas de Laura com força.

— Você prometeu que nunca ia me abandonar — disse a menina, chorando.

Laura se ajoelhou, abraçou-a com carinho e respondeu em voz baixa:

— E eu nunca vou, meu amor.

O portão permaneceu aberto.

E, naquele instante, não foi apenas uma demissão injusta que terminou — foi o começo de uma transformação silenciosa, onde uma criança ensinou a um homem poderoso o verdadeiro valor de quem cuida com amor.

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